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O Vasto Campo das AgroTechs

AgroTechs desempenham papel importante no avanço tecnológico do agronegócio

O agronegócio brasileiro é gigante. Seja no açúcar, no suco de laranja, no frango ou na carne bovina, produzimos com qualidade, eficiência e custos mais baixos do que a média mundial. E em grandes quantidades.

O Brasil tem ingredientes únicos que, combinados, favorecem uma posição competitiva invejável, notadamente em commodities de baixo e médio valores agregados. Aqui temos propriedades de grande extensão que viabilizam a produção em escala. Além disso, a tecnologia nacional em agronegócios é líder mundial em vários aspectos.

Lideramos as exportações de café, soja, carne bovina, carne de frango, açúcar e suco de laranja. E já nos aproximamos da liderança na exportação de milho. O manejo é dos campos e animais é muito bem-feito. Sem mencionar o clima excelente que permite até três safras anuais. Pesa contra o país a deficiente estrutura logística e o custo de capital, acima dos concorrentes mundiais.

A China, nosso principal parceiro comercial, somente dispõe de campos mais vastos no noroeste daquele país. Lá, todas as iniciativas são estatais e a escala territorial dessa região consegue atender apenas 25% do consumo interno. No restante do país a revolução comunista fragmentou o território em micro domínios que comprometem o quesito da escala competitiva.

Europa e Estados Unidos apresentam de imediato o desafio climático que reduz a chance de mais do que uma safra por ano. Infraestrutura e capital são ofertas diferenciais em seus domínios, porém a Europa padece da falta de extensão territorial. O resultado é um agronegócio altamente subsidiado, tanto de um lado do Atlântico, como do outro.

Os subsídios agrícolas nos Estados Unidos não apenas promovem desafios competitivos nos preços dos produtos brasileiros, como geram superproduções que precisam ser exportadas e acabam competindo também por fatias do mercado internacional.

Startups podem fazer a diferença

O agronegócio tem sido o grande motor da economia brasileira nos últimos anos. O desafio atual é manter o ritmo de crescimento. Neste ponto entra a AgroTech como elemento diferencial de alta relevância para o aprimoramento tecnológico de um setor que já representa quase um-quarto do Produto Interno Bruto.

A agricultura e a pecuária vêm sendo impactadas positivamente por novas tecnologias que aplicam geoprocessamento, IoT, machine learning, inteligência artificial, robótica e automação, além do uso de dispositivos sensoriais, blockchain e outras inovações que possibilitam ganhos de eficiência no plantio e na colheita, melhor controle de rebanhos, com maior previsibilidade, produtividade e eficiência.

É compromisso de todos aqueles engajados no ecossistema de inovação brasileiro dedicar atenção especial, tempo e recursos para apoiar o desenvolvimento das novas iniciativas no segmento das AgroTechs.

Afinal, seremos cerca de nove bilhões de seres humanos na terra em 2050, limitados a apenas 40% das terras disponíveis para o cultivo e a criação de animais.

Nos dias atuais já consumimos para a agricultura algo em torno de 70% da água doce disponível no planeta. Os desafios no uso e manejo dos recursos naturais demandam por soluções tecnológicas que miram a eficiência.

Nunca a tecnologia foi tão necessária para produzir mais com menos. Esses são grandes desafios dos nossos tempos. E uma das maiores oportunidades de negócio para quem souber aproveitar.